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Cenário do Grime Brasileiro

  • Foto do escritor: Muniz de Mattos
    Muniz de Mattos
  • 18 de jan. de 2024
  • 3 min de leitura

Cultura Grime Brasileira: Uma Fusão de Ritmos e Estilos


O grime, gênero musical originário do Reino Unido, cruzou o oceano e encontrou solo brasileiro por volta de meados de 2010. Foi em Salvador que Vandal se destacou como o pioneiro rapper a construir sua carreira através desse estilo. Sua abordagem única incorpora influências da MPB nordestina e o envolvente swing do pagode baiano.


Desde 2007, Vandal vem moldando sua trajetória artística, iniciando com seus primeiros trabalhos no grime e adotando a estética característica do gênero em suas músicas. Sua fusão de elementos regionais brasileiros com os padrões distintos do grime oferece uma perspectiva única, mostrando a diversidade e a riqueza da cena musical em Salvador e contribuindo para a expansão do grime no contexto brasileiro.


O grime, ao expandir sua presença para o Sudeste, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, enraizou-se profundamente na cena musical local. Uma conexão notável se formou entre os MCs de funk e os MCs de rap, estabelecendo uma proximidade entre os subgêneros do rap, como o trap. A chegada do grime influenciou a assimilação sonora, incorporando elementos como samples e ajustes de BPM, especialmente inspirados no característico funk 150 carioca.


Essa fusão musical não negligenciou o pancadão paulista, que, com uma estética menos swing e rítmica, se revelou mais sincopado e eletrônico. A convergência dessas duas escolas de funk tornou-se a principal referência para a emergente leva de artistas na cena do grime. Essa sinergia proporcionou uma abordagem única, incorporando características distintas de ambas as tradições musicais regionais, resultando em uma sonoridade inovadora que caracteriza a cena do grime no Sudeste do Brasil.


A Brasil Grime Show, pioneira na cena do Rio, tem desempenhado um papel significativo como produtora de conteúdo audiovisual no YouTube desde 2018. Inspirada pelas transmissões das rádios piratas nas origens do grime, a produtora recria de maneira única esse formato, adaptando-o à realidade brasileira. Assim como as rádios piratas foram fundamentais como fomentadoras da cultura grime em suas origens, a Brasil Grime Show polariza e se estabelece como um espaço para MCs que não apenas produzem o gênero, mas também para aqueles que estão experimentando novas abordagens.


Ao longo de suas sete temporadas e 59 episódios, a Brasil Grime Show acumulou uma impressionante marca de 11 milhões de visualizações. Esse sucesso evidencia a demanda e o interesse crescentes por esse conteúdo inovador, destacando a importância da Brasil Grime Show na promoção e difusão da cultura grime no cenário brasileiro. O canal não apenas oferece uma plataforma para artistas já estabelecidos, mas também serve como um trampolim para novos talentos, contribuindo assim para a diversidade e vitalidade da cena grime no Brasil.


A Brasil Grime Show tem se destacado não apenas como uma plataforma de entretenimento, mas também como um trampolim significativo para artistas emergentes, muitos dos quais ganharam projeção significativa em suas carreiras. Artistas como SD9, representante da zona norte do Rio, Leal e VND, autores do sucesso "Cachorrada", e Febem e Flezus, artista de SP, além de Kbrum e Nina, todos encontraram espaço e visibilidade por meio da Brasil Grime Show.


A diversidade de talentos apresentados nos episódios, incluindo artistas e DJs da cena eletrônica, destaca a amplitude da influência da produtora na cultura musical brasileira. A participação desses artistas nos DJ sets reflete o protagonismo não apenas dos MCs, mas também dos produtores e DJs na formação e evolução da cena grime no Brasil. A Brasil Grime Show, ao oferecer essa plataforma inclusiva, contribui de maneira essencial para o desenvolvimento e reconhecimento desses talentos no cenário musical nacional.

A presença do DJ e produtor Anticostantino, anteriormente integrante da Brasil Grime Show e atualmente na Leigo Records, destaca-se como uma peça fundamental na engrenagem do grime carioca. Originário da Baixada Fluminense, Anticostantino contribuiu significativamente para o desenvolvimento e promoção do grime na cena musical local.


A consolidação do grime no Brasil também contou com a contribuição fundamental do EP "BRIME" do produtor paulista Cezinha. Este projeto, que contou com a participação dos MCs Febem e Flezus, representou uma fusão única entre o ritmo londrino e as influências musicais brasileiras. O EP foi concebido durante a estadia de Cezinha, Febem e Flezus na Inglaterra, onde os MCs participaram de um cypher da Red Bull, aproveitando a oportunidade para produzir o material.


Cezinha já havia trabalhado anteriormente com Febem, contribuindo com beats para algumas faixas do EP solo de Febem, intitulado "Running". A parceria entre o produtor e os MCs resultou em um trabalho altamente bem recebido pelo público, evidenciado pelo expressivo número de visualizações no YouTube, ultrapassando os 3 milhões. Esse sucesso destaca a habilidade do trio em mesclar as sonoridades do grime com elementos distintivos da música brasileira, contribuindo assim para a expansão e aceitação do gênero no cenário musical brasileiro.

 
 
 

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