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Como viver da arte sem apoio e reconhecimento do Estado

  • Foto do escritor: Fabiana Araujo
    Fabiana Araujo
  • 25 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Natália Brambila, 26 anos, moradora do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro.

Vive e estuda teatro há 10 anos, e trabalha profissionalmente desde 2019, iniciando sua carreira com a Cia Cria do Beco.


Suas maiores referências no meio, antes de tudo, quem veio antes dela abrindo as portas e possibilidades para que a arte produzida pela juventude negra pudesse ser reconhecida e multiplicada, diz Nathalia.


Como o TEM, o Teatro Experimental do Negro, a própria militância dos movimentos negros na luta por políticas públicas contra o racismo, e cada projeto social que fomenta a cultura nos territórios de favela. Do corre da minha mãe, a resistência dos amigos que levam o ofício da arte, é de tudo isso que eu me alimento e me referencio.

Natália, acabou de estrear como protagonista no Festival do Rio, maior Festival de cinema da América Latina, o curta-metragem "Ficção Suburbana" de Rossandra Leone, uma história de amor contada nas ruas do Subúrbio Carioca.


Esse ano, o filme fará parte da programação do 16º Encontro do Cinema Negro Zózimo Bulbul, que acontece no Cine Odeon e reúne mais de 180 filmes e cineastas nacionais e internacionais.


Nos palcos do teatro, tem temporada nova do espetáculo "Nem Todo Filho Vinga" em São Paulo, no teatro da Caixa Cultural, agora em novembro.


Nem Todo Filho Vinga, é um espetáculo de sucesso e está rodando vários lugares pelo Brasil, criado por Renata Tavares, vencedora da categoria Direção, no 17° Associação dos Produtores de Teatro Nacional (APTR), além desse, é vencedor de vários prêmios do teatro, como vencedor, no ano de 2019, do melhor esquete do 9° FESTU – Festival de Teatro Universitário. A peça é inspirada em uma das maiores obras da literatura de Machado de Assis, "Pai contra Mãe". O espetáculo é produzido pela Cia Cria do Beco, da qual a Natália faz parte. Nem Todo Filho Vinga é protagonizado por jovens da periferia do Complexo da Maré e outras favelas do Rio e na peça a Nathalia vive a personagem Claudia.


Para Natália, sua maior dificuldade hoje como artista de periferia é não ter o reconhecimento e apoio do Estado, que desvaloriza nossas comunidades e massacra nossa juventude sem nos dar a oportunidade de mudar as estatísticas marcadas pela desigualdade social.


A arte me fez evoluir como ser humano, e através disso eu pude enxergar que existia muita coisa no mundo além do meu do meu território. Tento sempre trazer isso para os meus, que eles podem sim sonhar com uma realidade melhor.

A mensagem que a Natália Brambila deixa para sua comunidade é: Sejam persistentes, toda vez que pensarem em desistir, lembre- se que não é somente por você, é pela causa.


Natália citou em sua entrevista um dos pontos muito importante, infelizmente, vivemos em um Estado que não valoriza a arte, principalmente, a arte vinda de dentro das favelas do Rio de Janeiro. Muitos de nós, não temos acesso a lugares onde a arte se encontra na pista, nenhum incentivo e como disse a artista, nenhum reconhecimento neste meio.


Por isso, o nosso propósito aqui é mostrar que podemos chegar nesses lugares e mostrar as potências que existem nas favelas, que vão muito além das violências que sofremos no dia a dia pelo Estado.









 
 
 

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